sábado, 26 de março de 2011

ALGUNS EBÓS E OFERENDAS PARA CASOS DIVERSOS.


Para Atrair Sorte para a sua Residência ou Comércio:

1 Taça de Vidro
Mel
8 Moedas de qualquer Valor
1 Ovo Cru
Água
Coloque dentro da taça as moedas, regue com bastante mel. Abra o ovo e coloque só a gema
sobre o mel, encha o restante da taça com água. Coloque num local bem alto dentro de casa ou no
estabelecimento e peça muita fartura e prosperidade. Ao fim de 3 dias, despache no lixo comum.
Para Conseguir um Bom Emprego:
Material
Farofa com dendê
Ferradura
7 Moedas Antigas
1 Cravo Vermelho
1 Vela Vermelha e Verde
Forre uma bandeja com a farofa (feita com farinha de mandioca e azeite de dendê). Coloque em
cima da farofa os restantes objectos e os seus pedidos escritos num papel. Entregue numa mata,
para Ogum.

Ebó de Oxum para Prosperidade:
8 Moedas
Mel
Numa tigela de vidro coloque os ingredientes, obedecendo à seguinte ordem:
1 Punhado de Farinha de Milho
Água até à proximidade da borda da tigela
Perfume
Pétalas de Flores Amarelas
Deixe em sua casa ou no local de trabalho durante 07 dias. Peça a Oxum prosperidade e fartura.
Despache num espaço verde, e reaproveite as moedas e a tigela de vidro.

Banho de 7 Ervas Contra Inveja e Mau Olhado:
Arruda
Faça um banho morno com as seguintes ervas:
Alecrim
Levante
Guiné
Boldo
Folhas de pitangueira
Espada de São Jorge.
Tome o banho do pescoço para baixo, de preferência antes de dormir. Descarregue a água “suja”
num espaço verde. Repita por 07 segundas-feiras seguidas.


Para Afastar Pessoas Indesejáveis:

Torre numa panela velha os seguintes ingredientes:
7 Grãos de Milho
7 Grãos de Feijão
3 Pimentas
7 Grãos de Amendoim
Os nomes das pessoas indesejáveis escritos num papel.
Chame pelas pessoas enquanto mexe na panela.
Depois de torrado, triture até se transformar em pó.
Sopre o pó numa encruzilhada, mandando as pessoas para longe da sua vida.

terça-feira, 15 de março de 2011

Notícia

Tentar, eles tentam, porém Orixas Nkisis e Voduns nos colocam atentos.

A Cidade de Piracicaba, em São Paulo acordou com um novo Projeto de Lei Tramitando. Trata-se do Projeto Lei 202/10 Proposto por um vereador evangélico que propõe a Proibição da sacralização de animais em cultos religiosos.
O Brasil de Matriz Africana mais uma vez fica estarrecido, por mais que a constituição brasileira declare o Estado Laico e esta condição seja pauta de polemicas e escândalos diuturnamente, esta prerrogativa é desrespeitada. No RS no ano de 2003 foi aprovada por unanimidade o Código Estadual em Defesa dos animais proposto também por um Pastor Evangélico que não vamos citar os nomes para não promove-los. No entendimento dos Religiosos de Matriz Africana do RS, o código representou um avanço para o estado, porém um único artigo tentava proibir a sacralização de animais em cultos Religiosos, uma mobilização histórica aconteceu, milhares de Pais e Mães de Santo e seus filhos saíram às Ruas para protestar. Um dispositivo de Lei Foi Criado pelo então Deputado Edson Portilho salvaguardando as praticas de Matriz Africana Excetuando-as da Lei, porém o dispositivo foi contestado pelos proponentes do Código através de ADin . A CEDRAB-RS estava a Frente do Processo de defesa, imediatamente, trouxe de São Paulo seu advogado que também é constitucionalista, o Ogã Dr. Hédio Silva Junior (Ex-Secretário de Cidadania e Segurança Publica do Estado de São Paulo)que fez brilhante defesa no TJ-RS garantindo a Vitória do Povo do Axé. Não foi a Primeira vez que obtivemos uma vitória garantida pela sabedoria, competência e Imponência de Silva JR, em 2001 no RS ele garante a Legitimidade de um casamento realizado em um Terreiro e certificado por uma Federação, abrindo jurisprudência no Brasil, ainda em 2003 em defesa brilhante, ele atua no Caso da Iyalorisa Maria da Graça de Oxum da Cidade de Rio Grande-RS, que teve sua filha Gissele Monteiro condenada à Prisão por um visinho sentir-se incomodado pelo toque de tambor. Mais uma vez vitória! Alem de reabrir o Terreiro que teve suas portas fechadas, a situação de Gissele foi revertida. Agora é a vez de Piracicaba ter como Defensor este Ogã que com certeza saberá garantir que a constituição se cumpra! Dr. Hédio Silva Junior é Filho de Xangô.

Baba Diba de Iyemonja
Babalorisa da Comunidade Terreira Ile Axé Iyemonja Omo Olodo –RS
Conselheiro da CEDRAB-RS – Congregação em Defesa das Religiões Afro Brasileiras do RS
Diretor do Africanamente Centro de Pesquisa, Resgate e Preservação de Tradições Afrodescendentes
Coordenador da Renafro-Saude-RS

Algumas considerações sobre o Axerê

QUEM É O AXERÊ?

Àgo ye égbon!

Pouco se discute sobre o axerê e seu papel na nossa religião, embora existam muitas teorias e explicações para sua existência. Muitos acreditam que o axerê é o Orixá em estado infantil e por isso cobrem-lhe de brinquedos e badulaques, mas se fizermos uma análise epistemológica de seu comportamento teremos também outras idéias a seu respeito.
Existe uma tremenda confusão a respeito da palavra que o identifica: axêro, axerê, axerêo, axêre, são alguns dos termos pronunciados pelos africanistas gaúchos. Este termo existe só no Rio Grande do Sul e é derivado de uma palavra da língua iorubá. Carlos Galvão Krebs, um dos primeiros antropólogos gaúchos a pesquisar o batuque foi até a Bahia se encontrar com o mais que conhecido etnólogo francês Pierre Fatumbi Verger. Ao se deparar com a palavra axerê, coletada na comunidade afro-gaúcha, Verger extasiado diz: “Mas isso é iorubá” – mostrando um dicionário dessa língua.
De fato, em seu livro Orixás (VERGER, 1997, pág.139), Verger aponta a expressão o se bí asiwère (o xe bi axiuerê) que quer dizer "ele porta-se como um louco". Então axerê (corruptela de axiuerê) significa “louco”. Alguns podem contestar isso mas prestem mais atenção ao comportamento dos axerês: eles sempre invertem as localizações e alguns objetos substituindo as palavras originais pelo seu antônimo, por exemplo: dizem frente quando se referem aos fundos, encima quando é embaixo, luva ao invés de meias; palavrões no lugar de expressões comuns; sempre falam no tempo passado para acontecimentos do presente (ao invés de “é” eles dizem “era”); e tantas outras “loucuras” que vemos nas casas de religião.
No entanto, quase a totalidade dos africanistas afirmam ser o axerê uma criança. Existe até mesmo uma explicação com certa lógica com base num estudo superficial da semântica da palavra: axerê seria a contração, muito recorrente na língua iorubá, de duas palavras -> axé (energia imaterial divina) + erê (criança), ou seja, axé de erê ou de criança. De fato, todos os pesquisadores sempre aludem esta questão.
Norton Correia em seu livro O Batuque do Rio Grande do Sul, afirma que eles agem “[...] como crianças de 3 anos, os axerês mostram comportamento tipicamente infantil: ar abobalhado, olhos semi-arregalados, boca entreaberta.” (CORREA, 2006, pág.123) Mônica Buonfiglio também diz que “[...] o noviço toma uma forma infantil [...]”, no seu livro Orixás! (Buonfiglio, 1995, pág.112); e até mesmo Verger, em suas observações dos ritos de Xangô na Nigéria, diz que é “[...] um estado de langor, de abatimento e sonolência, durante o qual se entrega a atos de caráter infantil [...]”. (Op.cit.) Contudo, os termos “agem como”, “toma uma forma” e “atos de caráter” são claramente explicativos, pois esses pesquisadores concluíram que os axerês se portam como se fossem crianças, mas não afirmam que o são.
Já para os praticantes do Candomblé o axerê é na realidade “um tipo de entidade infantil” que tem relação com o Orixá da pessoa mas que não é o mesmo. São entidades distintas: o Orixá é uma coisa, o Erê (nome pelo qual é chamado no Candomblé) é outra.
E para quê serve o axerê?
O elégùn (“cavalo-de-santo”) quando ocupado pelo Orixá, segundo Verger, está num “[...] estado de exaltação e veemência enérgicas e autoritárias [...]”. O rigor físico provocado pelo Orixá manifestado impossibilita o funcionamento natural do organismo, então o axerê, antes de tudo, serve como relaxamento inclusive para a normalização de algumas funções fisiológicas interrompidas durante o transe. Quando em axerê, o Orixá pode comer e beber, se descontrair, enfim, socializar-se.
Norton Correia foi o pesquisador que mais se dedicou ao estudo dos axerês dedicando algumas páginas no seu célebre livro. Segundo ele, o axerê é um estado intermediário entre a ocupação e o normal. Perguntada por ele sobre o que é o axerê, Mãe Ester de Iemanjá diz o seguinte:
“É o mesmo santo, mas fica assim como criança, nem cá nem lá, nem é mais orixá, mesmo, nem é gente”.
Pùpó àse gbogbo!

(Por Hendrix de Òrúnmìlà)

domingo, 13 de março de 2011

ORIXÁ OTIM

CONSIDERAÇÕES SOBRE A ORIXÁ OTIM.

OTIM ORIXÁ

OTIM, usa capanga e lança. Sempre representada com o jarro de água na cabeça, pois alem de ser guerreira também cuida das plantações.
Orixá da caça, companheira de ODÉ.
ORIXÁ feminino que se alimenta de todo tipo de caça, porém seu alimento preferido é a carne de porco.
As filhas e filhos de OTIM são aqueles cujo metabolismo básico e características de personalidade herdadas geneticamente mais se identificam com uma matriz, a própria OTIM, que se manifesta em ambientes como florestas cerradas, parques onde animais são preservados, do contato do homem.
Dois Orixás iorubas que não apreciam contato com muita gente é: o mago OSSAIM, o solitário senhor das folhas, e OTIM a caçadora. Possui em comum o gosto pelo individualismo e o ambiente que habitam; a floresta virgem, as terras verdes não cultivadas.
A floresta é a terra do perigo, o mundo desconhecido além do limite estabelecido pela civilização iorubana, é o que está além do fim da aldeia. Os caminhos não são traçados pelas cabanas, mas sim pelas árvores, o mato invade as trilhas não utilizadas, os animais estão soltos e podem atacar livremente. É o território do medo.
OTIM é o ORIXÁ feminino responsável pela fundamental atividade da caça. É tradicionalmente associado à lua e, por conseguinte, à noite, as Iyá mi Ajés e os pássaros da noite, pois a noite é o melhor momento para a caça.
ODÉ , OTIN e OSSAIM têm na floresta o próprio fim, nela se escondem. O primeiro para capturar os animais, o segundo para poder estudar sozinho e recolher as folhas sagradas.
OTIM mora nas águas com IEMANJÁ, ERINLE e OXUM e na floresta com os irmãos OSSAIM, OGUM e ODÉ, no cultivo com ORIXÁ OKO.
OTIM e OSSAIM representam as formas mais arcaicas de sobrevivência, a apologia da caça em detrimento da agricultura, a apologia da magia e do ocultismo em detrimento da ciência.
No Candomblé, a cor verde é consagrada a OSSAIM por sua proximidade com as folhas, ficando o azul para OTIM, um azul pouco mais vivo e claro.
Outro dado que identifica e aproxima OTIM de OGUM, é o fato de ambos representarem atividades e possuírem temperamentos próprios de uma mesma faixa etária, a juventude (mas não a adolescência, pois são mitos adultos, viris), onde a energia se expressa fisicamente.
OTIM é um ORIXÁ que vive ao ar livre e está sempre longe de um lar organizado e estável. Seu combate cotidiano, entretanto, está nas matas, caçando os animais que vão garantir a alimentação da tribo, sendo por isso consagrado como protetor dos caçadores e eterno provedor da subsistência.
Protege tanto o que mata o animal como o próprio animal, já que é um fim nobre a morte de um ser para servir de alimento para outro. Protege o caçador e a caça, pois são seres do mesmo espaço, a floresta.
Por isso OTIM nunca aprova a matança pura e simples, para ela a morte dos animais deve garantir a comida para os humanos ou os rituais para os deuses, sendo símbolo de resistência à caça predatória.
O conceito de liberdade e independência para OTIM é muito claro. Sua responsabilidade principal com relação ao mundo é garantir a vida dos animais para que possam ser caçados.
Em alguns cultos, também se atribui à ela o poder sobre as colheitas, já que agricultura foi introduzida historicamente depois da caça como meio de subsistência.
ORIXÁ tem grande prestígio e força popular, além de um grande número de filhos, embora muitos dados a ODÉ.
Seus símbolos são ligados à caça: no Candomblé, possui um ou dois chifres de búfalo dependurados na cintura. Na mão, usa o eruquerê (eiru), que são pelos de rabo de boi presos numa bainha de couro enfeitada com búzios, um ofá arco e flecha, uma lança.
O mito da caçadora identifica-se com diversos conceitos dos índios brasileiros sobre a mata ser região tipicamente povoada por espíritos de mortos, conceitos igualmente arraigados, num sincretismo entre os ritos africanos e os dos índios brasileiros.
Talvez seja por isso que, mesmo em cultos um pouco mais próximos dos ritos tradicionalistas africanos, alguns filhos de OTIN o identifiquem não com uma negra, como manda a tradição, mas com uma Índia. Seu objeto básico é o arco e a flecha, o ofá. e o odématá.


CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OTÍN

Os filhos de OTIM são quase inexistentes, pois na Mitologia, OTIM não teve filhos na terra, dando assim as cabeças dos filhos para ODÉ.
O filho de OTIM apresenta arquetipicamente as características atribuídas do Orixá. Representa a marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo.
OTIM desconhece a agricultura, não muda o solo para ele plantar, apenas recolhe o que pode ser imediatamente consumido, a caça.
No tipo psicológico a ela identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, a fim de caçar. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços. Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da proximidade da caçadora. Assim os filhos de OTIM trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver as observações tão importantes para seu ORIXÁ.
Geralmente é associado às pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Tem, portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir. Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista.
Busca a alimentação, o que pode ser entendido como sua luta do dia-a-dia. Esse Orixá é o guia dos que não sonham muito, mas sua violência é canalizada e represada para o movimento certo no momento exato. É basicamente reservada, guardando quase que exclusivamente para si seus comentários e sensações, sendo muito discreta quanto ao seu próprio humor e disposição.
Os filhos de OTIM, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de responsabilidade.
São pessoas tipicamente extrovertidas, gostando de viverem sozinhos, preferindo receber grupos limitados de amigos. É, portanto, os tipos coerentes com as pessoas que lidam bem com a realidade material, sonham poucos, têm os pés ligados a terra.

LENDA DE OTIM

QUATRO SEIOS

OKE, rei da cidade de Otã, tinha uma filha. Ela nascera com 4 seios e era chamada de OTIM. O rei OKE adorava sua filha e não permitia que ninguém soubesse de sua deformação. Este era o segredo de OKE, este era o segredo de OTIM. Quando OTIM cresceu, o rei aconselha-a a nunca se casar, pois um marido, por mais que há amasse um dia se aborreceria com ela e revelaria ao mundo seu vergonhoso segredo. OTIM ficou muito triste, mas acatou o conselho do pai. Por muitos anos, OTIM viveu em Igbajô, uma cidade vizinha, onde trabalhava no mercado. Um dia, um caçador chegou ao mercado, e ficou tão impressionado com a beleza de OTIM, que insistiu em casar-se com ela. OTIM recusou seu pedido por diversas vezes, mas, diante da insistência do caçador, concordou, impondo uma condição: o caçador nunca deveria mencionar seus quatro seios a ninguém. O caçador concordou, e impôs também sua condição: OTIM jamais deveria por mel de abelhas na comida dele, porque isso era seu tabu, seu ewó.
Por muitos anos, OTIM viveu feliz com o marido. Mas como era a esposa favorita, as outras esposas sentiram-se muito enciumadas. Um dia, reuniram-se e tramaram contra OTIM.
Era o dia de OTIM cozinhar para o marido; ela preparava um prato de milho amarelo cozido, enfeitado com fatias de coco, o predileto do caçador. Quando OTIM deixou a cozinha por alguns instantes, as outras sorrateiramente puseram mel na comida. Quando o caçador chegou a casa e sentou-se para comer, percebeu imediatamente o sabor do ingrediente proibido.
Furioso, bateu em OTIM e lhe disse as coisas mais cruéis, revelando seu segredo: "Tu, com teus quatro seios, sua filha de uma vaca, como ousaste a quebrar meu tabu?" A novidade espalhou-se pela cidade como fogo. OTIM, a mulher de quatro seios, era ridicularizada por todos.
OTIM, fugiu de casa e deixou a cidade do marido
Voltou para sua cidade, Otã, e refugiou-se no palácio do pai. O velho rei a confortou, mas ele sabia que a noticia chegaria também a sua cidade. Em desespero, OTIM fugiu para a floresta. Ao correr, tropeçou e caiu. Nesse momento, OTIM transformou-se num rio, e o rio correu para o mar. Seu pai, que a seguia, viu que havia perdido a filha. Lá ia o rio fugindo para o mar. Querendo impedir o Rio de continuar sua fuga, desesperado, atirou-se ao chão, e, ali onde caiu, transformou-se em uma montanha, impedindo o caminho do rio OTIM para o mar. Mas OTIM contornou a montanha e seguiu seu curso. OKE, a montanha, e OTIM, o rio, são cultuados até hoje em Otã. ODÉ, o caçador, nunca se esqueceu de sua mulher.


QUALIDADES:

OTIN MALÉ = esposa de Odé (lilás com azul claro)
OTIN BOLÁ = outra esposa de Odé (lilás com azul claro)
FERRAMENTAS: Arco e flecha, funda, bodoque, moedas e búzios.
AVE: aves malhadas varias cores
QUATRO PÉ: leitoa.


OTÌN BÒ RÒ ODE (OTIN VEM AJUDAR ODÉ)

BEBIDA > água de coco, aluá, garapa, vinho doce, mate, água de coco, água com mel, vinho moscatel
COR > verde com amarelo, Azul e branco para ODÉ e Azul e rosa para OTIM
COME > coco, abóbora moranga, angolista, frutas, pombos.
DIA DA SEMANA > Quinta-feira
Dia da Lua: quinto dia da Lua Nova
DOENÇAS> doenças mentais, úlcera gástrica
ELEMENTO> terra +
EMBLEMA> ofé, irukerê
ERVAS> arruda, alecrim, guiné, acácia, alfavaca do campo (quiôiô), eucalipto, guiné pipi, guiné caboclo, jaborandi, jurema, mangueira, peperegum verde, samambaia, goiabeira.
ESSÊNCIAS > sândalo.
FLORES > todas de pendão, palmas brancas, palmas vermelhas, girassol
FRUTAS > coco, milho verde, abacate
HABITAT > mata fechada alta.
METAL > zinco, mercúrio.
METAL>latão
NATUREZA > floresta, selva, árvores.
NÚMERO > 07 e seus múltiplos
OFERENDA > Odé - Costela de Porco e feijão miúdo, Otim - Chuleta de Porco e feijão miúdo.
PEDRAS > esmeralda, quartzo verde, crisoprásio, aventurina, peridoto, jade
SIMBOLO > arco e flecha, bodoque, espingarda.
SAUDAÇÃO > Oké!!!Saudação: Okebambo
SAÚDE > aparelho respiratório

Uma fotinhos das minhas Férias..... Na minha Prainha





Algumas Fotos de Eventos religiosos ocorridos durante o período em que estive afastado do Blog





Um Príncipe Negro no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre.




O Principe Custódio e o Batuque no Rio Grande do Sul
1. O Aspecto Histórico:

Com a chegada dos negros escravos, oriundos das várias regiões africanas, aportaram por aqui, várias etnias africanas - dentre elas a etnia Nagô.

Originariamente, os Nagôs eram mais concentrados na região denominada Daomei, hoje Reino de Benin, cujo Rei (Oba) chama-se Osanlelê III (carinhosamente conhecido no meio antropológico por Vô).

Com o advento da invasão inglesa, no início do século passado, aqui chegou um Príncipe chamado Osanlelê do Sapatá Erupê, que para evitar o derrramamento do sangue de seu povo, fez um acordo com a coroa inglesa de auto exilar-se. Em troca, a coroa britânica manteria sua família e a sua côrte no exílio.

O local escolhido pelo Príncipe Custódio Joaquim de Almeida foi o Brasil, especificamente o Rio Grande do Sul, aportando em Rio Grande, após Pelotas e finalmente radicando-se em Porto Alegre, na rua Lopo Gonçalves, bairro Cidade Baixa. Levando uma intensa vida social, política e religiosa. Ainda hoje é possível o contato pessoal com uma descendente direta do Príncipe Custódio, sua neta, Princesa Serafina e seus filhos.

Esse breve relato exemplifica a peculiriadade da colonização gaúcha pelos negros, bem diferenciada do restante do país, pois aqui a grande maioria dos negros cativos eram oriundos da nobreza ou guerreiros.

Os Nagôs sofreram uma miscigenação étnica muito acentuada devido não serem um povo dado às lides da guerra, e sim da cultura. Eram habilidosos artesãos, políticos experientes dado às várias invasões que sofreram em sua terra natal mesmo antes da invasão inglesa, quando por várias vezes foram praticamente dizimados e os poucos que sobravam eram obrigados a migrarem pela África e países vizinhos para com isso, absorverem outras culturas e daí sempre ressurgindo um povo mais culto e a cada migração miscigenado com outras culturas étnicas.

2. O Aspecto Religioso:

No aspecto religioso o povo Nagô ainda observa a herança cultural da ancestralidade africana, principalmente no tocante aos vários rituais praticados. Especificamente no Templo de Umbanda Nagô Reino dos Orixás, esta diversidade é mais observada. Haja visto que neste ritual é o Exú (Exú-Bará) o elo de ligação dos homens com os Orixás. Em outros rituais, Oiós; Bantos; Cabindas; Gegê; Jexás e outros, inclusive outras ramificações Nagôs, o Exú abre os caminhos para que os Orixás cheguem no mundo e atendam os homens.

3. Os Orixás:

Os Orixás africanos em sua terra ancestral eram cultuados em número aproximado de 650 divindades, todos eles caracterizam-se por feitos excepcionais em suas diversas regiões de origem e sempre ligados ao aspecto telúrico. Hoje cultuam-se no Brasil, basicamente oito Orixás dos sessenta e poucos trazidos pelos negros ancestrais.

4. Os Orixás mais cultuados no Ritual Nagô:



Oxalá: o filho de Olurum (Deus).

Oxosse: senhor das matas, sincretizado com São Sebastião.

Ogum: senhor das armas e das guerrass, sincretizado com São Jorge.

Xangô: senhor da justiça, sincretizado com São Gerônimo.

Ibeji: o aspecto infantil, sincretizado com São Cosme e São Damião.

Exú-Bará: o plano terreno, o aspecto da rua, sem sincretismo.

Iemanjá: deusa das águas salgadas, sincretizada com Nossa Senhora dos Navegantes.

Oxum: deusa dos rios e cachoeiras, sincretizada com Nossa Senhora da Conceição.

Iansã: deusa dos ventos e das tempestades, sincretizada com Santa Bárbara.

Xangô Orixá de Nagô: filho de Inaminã, sem sincretismo.

5. Considerações Finais

Para concluir este breve trabalho, que mostrou uma pequena parcela da riqueza dos cultos Afro-brasileiros quero declarar que concentrei a pesquisa na nação Nagô, devido ao fato de que é nesta nação que nasci e fui criada, de maneira tal que, a religiosidade passou a ser uma parte sagrada de mim e daqueles que são meus irmãos de fé.

Toda a minha família paterna, incluindo minha mãe, é devota da religião, salientado o fato de que meus pais, tios, avós paternos e uma prima são iniciados prontos, que dedicam, por livre e espontânea vontade, uma parte valiosa da vida à nossa religião.

Um Príncipe Negro em Porto Alegre
São João Batista de Ajudá era uma fortaleza portuguesa, no Daomé, outrora muito povoada por cristãos negros. Foi construída, por ordem do rei D. Pedro II, para proteger o importante comércio que então os portugueses faziam na Costa da Mina, território à beira do Oceano Atlântico, no golfo da Guiné. Daomé foi colônia de vários países, até que a Grã-Bretanha comprou a parte dos demais ocupantes, tornando Daomé inteiramente propriedade inglesa. Os ingleses, então, tiveram de entrar em acordo com os reis e príncipes negros que governavam as terras. Um desses acordos resultou na deportação de um rei africano. Com outros governantes, foram feitos acordos financeiros, por eles aceitos, a fim de evitar o massacre do seu povo. Entre estes, estava o príncipe de São João Batista de Ajudá, que deixou sua terra na Costa da Mina. Não se sabe por qual motivo o exilado escolheu o Brasil. Talvez por haver aqui grande número de descendentes de escravos nativos da Costa da Mina, os chamados pretos-mina. Inicialmente, fixou-se em Rio Grande e, mais tarde, foi para o interior de Bagé, onde ficou conhecido por manter viva a tradição religiosa de seu povo, com a prática que hoje se conhece como batuque. De Bagé, mudou-se para Porto Alegre, adotou o nome Custódio Joaquim de Almeida e tornou-se um líder de sua raça. Rodeado pela nobreza, viveu muitos anos em Porto Alegre e conservou todos os hábitos de origem e os ritos da seita africana. Morto em 1936, aos 104 anos, com ele desapareceu uma das figuras mais impressionantes da capital gaúcha


Mercado Público é templo de religiões afro-brasileirasA história resolveu jogar uma pá de cal sobre Custódio Joaquim de Almeida, o primeiro negro a comandar o poder gaúcho nos bastidores. Manejando os membros mais ilustres de sua época, é um nome que sempre arrepiou os que escreveram a história branca do Estado. Depois de peregrinar em vão pela Bahia e Rio de Janeiro, os búzios indicaram ao príncipe exilado de sua terra, Benin — entre a Nigéria e o Togo —, pela coroa inglesa, o Rio Grande do Sul como uma espécie de terra prometida. Alcançou o porto de Rio Grande em 1864 e chegou a Porto Alegre no início do século passado. Circulou como um branco livre, em plena escravatura, pela corte rio-grandense, de braços dados com ilustres líderes políticos, de Júlio de Castilhos a Getúlio Vargas, que durante seu governo perseguiu os seguidores das religiões afro.
Custódio plantou o Bará, orixá que, segundo a tradição, abre e fecha os caminhos, em 7 pontos da capital gaúcha. Entre esses lugares estaria o Palácio Piratini e o Mercado Público, que trouxe a figura do príncipe negro de volta durante a reforma do prédio histórico, em 1993. O prédio é um lugar místico para os adeptos dos terreiros há mais de cem anos. Depois de ficar dias a fio deitados com a cabeça marcada pelo sangue de animais, o seguidor do Batuque levanta e vai ao Mercado cumprir o ritual do passeio. Na prática, há os que dizem que a figura do príncipe negro não passe de uma lenda; e os que procuram desenterrar uma história bem escondida. Morto aos 104 anos, em 1936, Custódio deixou um legado espiritual que tem pesado por mais de um século sobre o Rio Grande do Sul.




Um Príncipe Negro Morou em Porto Alegre - Parte 2Os portugueses antes poderosos tinham se contentado com uma parte do Guiné e com as Ilhas de São Tomé e Príncipe cedendo as suas fortalezas. As condições para que o Príncipe de Ajudá não oferecesse qualquer resistência aos invasores, além pelo respeito à vida dos seus súditos, era a de que se exilasse e jamais voltasse aos seus domínios. E, como parte do convênio, a Grã-Bretanha se comprometia a fornecer-lhe uma subvenção mensal paga em qualquer parte do mundo onde estivesse, por intermédio dos seus representantes consulares.Por qual motivo o exilado escolheu o Brasil, não se sabe. Talvez por haver aqui grande número de descendentes dos escravos nativos da Costa da Mina - os chamados "pretos-mina" - ou outra qualquer razão; sua chegada a nossa terra foi assinada com acontecida em 1864, dois anos depois de ter deixado Ajudá. Inicialmente fixou-se em Rio Grande mais tarde foi para o interior de Bagé onde ficou conhecido por manter viva a tradição religiosa do seu povo - com a prática do que agora se conhece como Batuque - além de mostrar conhecimentos das propriedades curativas da nossa flora medicinal, atendendo muita gente doente que o procurava, tratando de minorar-lhes os males por meio de ervas e rezas dos ritos africanos.De Bagé mudou-se para Porto Alegre onde chegou em 1901 com 70 anos de idade. Foi morar na Rua Lopo Gonçalves, nº498, cujos fundos davam para a Rua dos Venezianos(hoje Joaquim Nabuco), mas logo que o príncipe que havia adotado o nome brasileiro de Custódio Joaquim de Almeida - ali se instalou, passou a rua a ser preferida pela gente de cor que procurava com isso acercar-se do homem que incontestavelmente, era um líder de sua raça.O príncipe Custódio - como então era chamado - iniciou-se ali uma nova etapa de sua aventurosa vida, cercando-se em Porto Alegre de um aparato digno de um verdadeiro fidalgo.A família do príncipe de Ajudá aos poucos foi crescendo e não demorou a atingir o número de 26 pessoas, sem contar os empregados em boa quantidade.Os fundos da casa onde morava - com saída à Rua dos Venezianos (Joaquim Nabuco, hoje) - servia para a sua coudelaria, pois possuía nada menos do que nove cavalos de raça - alguns importados da Inglaterra - os quais todos os domingos disputavam corridas. Para manter e cuidar esses animais havia um grupo selecionado de empregados, jóqueis, etc., sob a supervisão direta do príncipe, que se classificava como "tratador". O príncipe Custódio tinha oito filhos, três homens e cinco mulheres (atualmente ainda estão vivos um homem - Dionísio Joaquim Almeida, funcionário aposentado da EBCT - em Porto Alegre, e duas senhoras, uma residindo no Rio de Janeiro e outra em São Paulo) e para esses oito filhos, quando pequenos, mantinha quatro empregados, um para cada dois.

Um Príncipe Negro Morou em Porto Alegre - Parte 3Seus conhecimentos de idioma português não eram muito corretos, porém podia expressar-se fluentemente em inglês e francês, além de falar ainda vários dialetos das tribos africanas que havia governado. As festas a que levava a efeito periodicamente em sua casa - notadamente na data de seu aniversário - duravam três dias com a casa sempre cheia de gente, da manhã à noite, se comia e se bebia do bom e do melhor ao som dos tambores africanos que batucavam sem parar naquelas setenta e duas horas. E nesses dias o príncipe recebia a visita da gente mais ilustre da cidade, inclusive do presidente do Estado, Borges de Medeiros que, conhecendo a ascendência daquele homem sobre a população de cor, ia felicitá-lo, talvez mais por motivos políticos do que por outra coisa. Naquelas festividades era certo o comparecimento de senhoras e cavalheiros da melhor sociedade porto-alegrense, além de capitães da indústria e comércio que dele precisavam o apoio para o perigo de greves e outras imposições. As mais finas bebidas eram importadas diretamente da Europa, especialmente para aquelas ocasiões especiais, embora elas nunca faltassem a mesas do príncipe exilado. A casa do príncipe vivia sempre lotada de gente, de visitantes e de pessoas que ele encontrava nas ruas e lhe pediam auxílio. Mandava essas pessoas embarcarem na carruagem em que estivesse e as levava para a sua residência onde sempre havia lugar para mais um . Todos ali ficavam até que quisessem ir embora. Entre os que viveram muito tempo junto ao príncipe estava um branco, desdente de alemães oriundo de São Sebastião do Caí, que tinha feito estudos de medicina e dessa maneira o auxiliava no atendimento aos doentes que continuamente o procuravam em busca dos remédios e dos "trabalhos" do chefe africano exilado.Para os rigores do inverno o príncipe Custódio adotou o poncho gaúcho, embora não dispensasse o gorro que marcava a sua personalidade, não o deixando nem quando visitava o Palácio Piratini onde sempre era bem vindo e onde havia ordens superiores de bom atendimento, e onde ele muitas vezes usava o seu prestígio para conseguir alguma coisa que lhe fosse solicitada por qualquer membro de sua comunidade.Durante todos os anos em que viveu em Porto Alegre - 31 ao todo - nunca manteve correspondência ostensiva com parentes ou amigos deixados em terras africanas. De lá recebia informações e daqui envia notícias suas em mãos por intermédio de marítimos que tripulavam vapores vindos à nossa metrópole transportando e levando mercadorias. Também nunca se soube o teor dessas correspondências. De incentivo ao seu povo para uma possível rebelião não era. Pois ele sabia ser isso humanamente impossível. Além disso, a Inglaterra, em todo o longo período do seu exílio, sempre cumpriu religiosamente o que fora estipulado. Mensalmente o consulado britânico local entregava-lhe um saquinho cheio de libras esterlinas, cuja troca em mil-réis servia para manter a pequena corte da Rua Lopo, a família numerosa, os agregados, os empregados, e ainda serviam àqueles que o procuravam nos momentos de aperturas financeiras.

Um Príncipe Negro Morou em Porto Alegre - Parte 4No verão, em janeiro, o programa era conhecido. Ia todo mundo para a casa de propriedade de Custódio Joaquim de Almeida, na Praia de Cidreira. A viagem para o velho balneário era qualquer coisa de sensacional e folclórico. Embora fosse dono de carruagem e tivesse dinheiro para alugar quantas diligências quisesse, o príncipe gostava de viajar em carretas puxadas por bois na maior calma e na mais incrível lentidão. E ainda mais: a viagem era feita por etapas em ritmo de passeio, parando em muitos lugares onde ele era sempre esperado com festas e cerimônias religiosas africanas, muita comida e muita bebida, pois todos sabiam que tudo seria pago pelo viajante ilustre. Dessa maneira nunca o trajeto de Porto Alegre à Cidreira era feito em menos de uma semana. Quando eram gastos apenas cinco dias, considerava-se um recorde de velocidade.
Com as carretas de transporte dos passageiros seguiam outras carregadas de mantimentos, inclusive muitos sacos de milho e dezenas de fardos de alfafa, aos cuidados dos empregados, pois os cavalos de corrida do príncipe também iam aos banhos de mar. Isso, ele como treinador e tratador, fazia questão fechada.
A maior festa que a Cidade Baixa já viu foi quando Custódio completou cem anos de idade. Nesse dia muita gente "bem" foi abraçá-lo em sua casa, e ele, dando demonstração de sua vitalidade exuberante, montou a cavalo sem receber qualquer ajuda. Aliás, isto ele fez até poucos dias antes de sua morte, quatro anos depois.No dia 26 de maio de 1936 morreu o príncipe Custódio aos 104 anos de existência. Seu velório e seu enterro, atendendo ao pedido expresso do morto, foi feito dentro das tradições africanas com muito batuque e muitos "trabalhos", em intenção do morto.Com ele desapareceu uma das figuras mais impressionantes e esquisitas da nossa cidade, e muita gente ficou desamparada, pois a subvenção paga mensalmente em libras pelo governo inglês extinguiu-se com a morte do príncipe de Ajudá.